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Doze anos e feminista: estudante cria projeto para combater violência contra a mulher


Doze anos e feminista: estudante cria projeto para combater violência contra a mulher

Lembre-se de você aos 12 anos. Quais eram os seus objetivos? Com certeza com essa idade você nem imaginava o que significava a palavra feminismo. Para a estudante paulistana Teresa Batlickova, no entanto, lutar pelos direitos das mulheres já é uma realidade exatamente aos 12 anos.

Em uma reportagem do site Universa, a paulistana afirmou que ser criança não a blinda dos problemas enfrentados pelas mulheres na sociedade. “Já sofri machismo. Nada tão sério como estupro ou assédio, mas já ouvi de um garoto que eu deveria aprender a lavar louça porque sou mulher”, conta a menina. “Além disso, sempre que vou jogar futebol com os meninos, eles dizem que sou café com leite”, revela.

As pessoas acham que feminismo é uma ideia que coloca as mulheres acima dos homens, mas não é isso. Significa igualdade, luta contra o machismo – que é a superioridade dos homens em relação a nós. Entendi isso com 10 anos, na escola, onde explicaram todos esses conceitos”, explica a jovem.

Em casa, o feminismo também é uma realidade. As tarefas domésticas são divididas entre ela, a mãe e o pai. Filha única, Teresa lava a louça não porque é mulher, mas porque aprendeu desde cedo a ajudar. “Ela até cozinha às vezes”, conta a mãe, que estimula a menina a entender os problemas sociais.

Acredito que toda criança já nasce com a própria personalidade, então, nós apenas apoiamos a tendência que ela já tinha de se interessar pelo mundo. Conversamos bastante sobre coisas que nos preocupam, também em relação à segurança dela, e ela costuma participar desses papos”, explica.

Em defesa da mulher desde cedo

Arquivo Pessoal
Teresa distribuiu panfletos informativos sobre violência contra a mulher

Ao participar de um projeto da escola particular onde estuda, em São Paulo, no qual as crianças deveriam encontrar um problema social e criar uma proposta para combatê-lo, Teresa compartilhou sua indignação contra o aumento da violência de gênero com outras quatro colegas, também de 12 anos. O grupo decidiu falar sobre violência contra a mulher e, ao pesquisar, encontrou dados que, segundo a menina, precisavam ser divulgados. “Ao nos reunirmos, descobrimos que, a cada dois minutos, cinco mulheres são espancadas, e que são os parceiros ou ex-parceiros os responsáveis em mais de 80% dos casos reportados”, afirma.

“Percebemos que os dados mais alarmantes eram os de violência contra a mulher, os de assédio e os de estupro. Por isso, criamos panfletos informativos sobre esses casos e distribuímos na estação Butantã do metrô”, explica Teresa. No Brasil, em 2017, 164 casos de estupro foram registrados por dia.

Além de distribuir os panfletos, Teresa e uma das colegas explicaram aos inúmeros adultos que por ali passaram a importância de denunciar casos de assédio e abuso. “Falamos principalmente com mulheres porque queremos estimulá-las a denunciar. E explicamos aos homens como eles podem ajudar caso presenciem algum caso de violência”, conta a jovem estudante.

Teresa e suas colegas criaram uma conta no Instagram (@femininaconsciencia) em que publicam informações sobre como pedir ajuda em casos de assédio e como denunciar qualquer tipo de violência. “Criamos a página para atingir um público maior, falar de situações como o machismo silencioso, por exemplo. Não dava para escrever tudo em panfletos, senão ficaria muita coisa. A gente também avisa quais são os lugares com maiores índices de estupro para as mulheres ficarem ligadas”, revela.

O projeto ultrapassou o ambiente escolar e se tornou uma meta para Teresa e as amigas: “Mesmo com o fim do trabalho da escola, continuaremos alimentando o conteúdo do Instagram e programamos novas panfletagens nos metrôs. A conscientização é a melhor forma de mudar uma realidade”.

Fonte: Universa

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