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Para 70% dos brasileiros só há democracia com mulheres no poder


Para 70% dos brasileiros só há democracia com mulheres no poder

Para 70% dos brasileiros, só há democracia de fato com a presença de mulheres nos espaços de poder e de tomada de decisão. O dado é da pesquisa Ibope/ONU Mulheres Brasil 50-50, feita em parceira com o Instituto Patrícia Galvão e divulgada pelo Huffpost Brasil. De acordo com a sondagem, 45% dos entrevistados concordam totalmente com essa afirmação e 25% concordam em parte.

A segunda edição do estudo mostra que há uma demanda geral da população por maior representatividade feminina e melhora nas políticas públicas que impactam as brasileiras. No âmbito da atuação política, uma série de indicadores revelam apoio à ampliação da participação feminina, exatamente o que o Mulheres Transformadoras também defende. Para 81%, a presença de mulheres na política e em outros espaços de poder e de tomada de decisão resulta numa melhoria da política e desses espaços.

Outros 77% avaliam que deveria ser obrigatório que o Legislativo em todos os níveis tivesse composição paritária entre os gêneros e 72% acha extremamente importante promover ações que incentivem que homens e mulheres tenham as mesmas oportunidades de atuação nos partidos e nos governos.

Na avaliação de Nadine Gasman, representante do Escritório da ONU Mulheres no Brasil, o cenário atual pode ampliar a representação feminina nos cargos eletivos.

A expectativa é que com as mudanças do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] que obrigam a investir nas campanhas de mulheres e o desejo da população, que não é explícito e por isso a importância dessa pesquisa, mais mulheres sejam eleitas”, afirmou. Ela estima que a taxa de ocupação feminina dos cargos eletivos suba para até 30%.

Mulheres na política

O cenário atual coloca o Brasil na 161ª posição de um ranking de 186 países sobre a representatividade feminina no poder Executivo. A classificação é do Projeto Mulheres Inspiradoras, com dados do TSE, da Organização das Nações Unidas e do Banco Mundial.

Resultado de imagem para mulheres em lutaEm 2014, 10% das cadeiras na Câmara dos Deputados foram ocupadas por deputadas. No Senado, o percentual foi de 18%. As deputadas estaduais, por sua vez, somaram 11%. No Executivo, havia apenas uma mulher eleita entre os governadores. Já nas eleições municipais de 2016, as cadeiras femininas representaram 13,5% das vereadoras e 12% das prefeitas.

A decisão do TSE de garantir pelo menos 30% do Fundo Partidário para campanhas de mulheres pretende aumentar esse índice. Porém apesar da iniciativa, há lacunas na execução. Como a Corte não definiu regras específicas, as legendas têm adotado critérios próprios e usado mecanismos como o aumento no número de candidatas mulheres ao cargo de vice. Neste pleito, são quatro na disputa presidencial e 74 na corrida eleitoral pelos governos estaduais.

Para a ex-ministra do TSE Luciana Lóssio, responsável pelo texto da consulta que garantiu os 30% dos fundos para as campanhas femininas, esse fenômeno não seria um desvio do objetivo inicial da decisão da Justiça Eleitoral, devido à importância do cargo. “Dos cinco presidentes após a redemocratização, três vices assumiram o cargo e terminaram o mandato”, afirmou.

Políticas para mulheres

A pesquisa da ONU Mulheres com o Ibope também revela uma demanda dos brasileiros para que o governo federal apoie a promoção da equidade de gênero. Para 83% dos entrevistados, é extremamente importante o incentivo ao acesso de mulheres e homens às mesmas oportunidades de trabalho e mesmos salários. Outros 72% consideram Resultado de imagem para mulheres em lutaextremamente importante políticas visando assegurar oportunidades iguais de atuação em partidos políticos e nos governos.

Para Nadine Gasman, os dados revelam uma mensagem que os partidos e eventuais políticos eleitos não podem ignorar. “Para os cidadãos, o tema da igualdade de gênero e empoderamento das mulheres de uma forma paritária é muito importante”, afirmou a especialista. Ela ressaltou ainda o peso de demandas de políticas públicas a partir de uma visão que inclua questões de gênero nas áreas de saúde, educação e segurança. Em algumas medidas, mulheres têm um nível de concordância um pouco superior ao dos homens.

Para Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, o que impede maior representatividade feminina no momento é o funcionamento partidário.

Os partidos são um dos espaços mais misóginos que nós temos nesse país. As mulheres votam em mulheres. Marina e Dilma tiveram mais de 65% dos votos no 1º turno. O que falta às mulheres candidatas nesse país? Estrutura de campanha. Mulheres que se elegem na Câmara e no Senado tem estrutura de campanha e se elegem com milhões de votos, assim como os homens”, afirmou.

Lóssio, por sua vez, ressalta que a destinação de recursos ainda é controlada por homens majoritariamente, por meio das executivas nacionais nos partidos. De acordo com ela, apenas uma das 35 siglas está regular com a destinação de verbas pela secretaria da mulher dentro da legenda. “Da porta para dentro ainda impera o coronelismo”, criticou.

Com informações de Huffpost Brasil

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