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Ativistas contra violência sexual ganham Prêmio Nobel da Paz de 2018


Ativistas contra violência sexual ganham Prêmio Nobel da Paz de 2018

Dois ativistas, um homem e uma mulher. Ela, Nadia Murad, mulher da minoria yazidi sequestrada e transformada em escrava sexual pelo grupo Estado Islâmico (EI) durante a ocupação de territórios da Síria e do Iraque e se tornou uma corajosa voz das mulheres que sobreviveram à escravidão sexual. Ele, Denis Mukwege, ginecologista congolês e defensor internacional pela igualdade de gêneros e pelo fim do estupro nos conflitos armados. Ambos lutam contra a violência sexual como arma de guerra e instrumento de submissão social e foram escolhidos pela academia norueguesa como os vencedores do Prêmio Nobel da Paz em 2018.

A distinção de dois ativistas da questão de gênero mostra a força da mobilização internacional gerada desde 2017 em torno do tema da violência cometida contra as mulheres. Por trás da escolha da Academia, está também a campanha #MeToo, que trouxe à tona a extensão do problema das agressões sexuais e do assédio às mulheres.

Coragem para denunciar

Nascida e criada na vila de Kojo, no Norte do Iraque, Nadia e sua família se tornaram alvos da campanha de limpeza étnica do EI. Os moradores foram reunidos na única escola da cidade, onde mulheres e meninas foram separadas dos homens. Em seguida, as mulheres e meninas foram levadas para ônibus. Nadia foi levada para um mercado de escravas, onde foi vendida para um dos juízes do EI. Ele a estuprou várias vezes, espancando-a se ousasse fechar os olhos durante o ato. Quando ela tentou pular uma janela, o homem ordenou que tirasse a roupa e a deixou com seus guarda-costas, que fizeram fila para violentá-la. Após três meses de violência, conseguiu escapar e demonstrou toda sua coragem para denunciar os abusos contra ela e outras mulheres.

Em 2016, Nadia foi nomeada a primeira Embaixadora da Boa Vontade da ONU para a Dignidade de Sobreviventes do Tráfico Humano . Contou sua história na autobiografia “The last girl” (“A última garota”). O título remete a uma frase no livro: “Eu quero ser a última garota no mundo com uma história como a minha”, disse.

Nadia se recusou a ser silenciada. Desde que a conheci, ela não só encontrou sua própria voz, mas se tornou a voz de toda mulher yazidi que é uma vítima, de toda mulher que já foi agredida sexualmente, de todo refugiado que foi abandonado”, afirmou a advogada de direitos humanos Amal Clooney, que a representa e que escreveu o prefácio de sua biografia. 

Luta contra a violência sexual

Já Mukwege é o chefe do Hospital Panzi, na cidade de Bukavu. Aberta em 1999, a clínica recebe milhares de mulheres anualmente, muitas das quais solicitando cirurgias em decorrência de violências sexuais. Defensor internacional pela igualdade de gêneros e pelo fim do estupro nos conflitos armados. Em 2012, o médico fez um discurso na ONU criticando o governo congolês e os de outros países por não fazer o bastante para acabar com “uma guerra injusta que usa a violência contra as mulheres e o estupro como estratégias”.

Pouco depois do discurso, quando retornou ao Congo, quatro homens armados invadiram sua casa em Bukavu, tomaram seus filhos como reféns e esperaram que Mukwege voltasse do trabalho. No atentado que se seguiu, seu guarda-costas foi morto, mas ele se atirou ao chão e conseguiu sobreviver. Depois disso, ficou mais de dois meses exilado, mas retornou ao hospital, mesmo correndo riscos.

“Mukwege dedicou sua vida a defender as vítimas da violência sexual em tempos de guerra (…) e Murad é testemunha que conta os abusos perpetrados contra ela e contra outras pessoas”, argumentou o Comitê Norueguês do Nobel .

A ONU afirmou que este “fantástico anuncio ajudará a avançar o combate contra a violência sexual nos conflitos”. “Essa é uma causa muito importante para as Nações Unidas”, disse a porta-voz da organização em Genebra, Alessandra Vellucci.

Com informações de O Globo e Estadão

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