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Com apoio da SPMulheres, projeto ajuda meninas a enfrentarem a violência virtual


Com apoio da SPMulheres, projeto ajuda meninas a enfrentarem a violência virtual

43632589_502571493542172_2031760427473651685_nA violência virtual contra a mulher é um realidade atual. Mensagens hostis nas redes sociais e no celular, com discurso de intimidação e até ameaças. Dentre as principais vítimas estão crianças, adolescentes (do sexo feminino) e jovens mulheres. A organização não governamental (ONG) Safernet diz que, em 2017, atendeu 300 casos de cyberbulling (perseguições, intimidação, discriminação, ofensa e exposição íntima).  Diante desse cenário preocupante, no ano passado,  o projeto Escola de App: enfrentando a violência on-line contra meninas foi desenvolvido, com o objetivo de empoderar jovens, bem como informá-las e aproximá-las da tecnologia para lidarem com essa realidade.

A idealizadora da iniciativa a professora da Faculdade de Comunicação (Fac) da Universidade de Brasília (UnB) Janara Sousa, 42 anos. O projeto de pesquisa e extensão, além de dar empoderamento, a iniciativa tem como objetivo fazer com que adolescentes do ensino médio aproximem-se mais da tecnologia e aprendam a desenvolver aplicativos para encarar o problema de frente.

“Já fui vítima de violência on-line. A internet não é um ambiente seguro. Por não conhecerem, as meninas não sabem lidar com a situação. A nossa ideia é o aprofundamento no tema para que as jovens não se tornem vítimas”, afirmou Janara.

O projeto piloto financiado pela secretaria foi idealizado e está sendo executado pelo grupo de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB). O trabalho tem como base pesquisa de campo, capacitação e ações para estimular o empoderamento. A iniciativa foi desenhada considerado dados do Helpline, da ONG SaferNet Brasil (2017), que apontou que apenas em 2016 foram registrados mais de 300 denúncias de sexting (pornografia de vingança).

“Fizemos questão de participar do trabalho, pois entendemos que a tecnologia deve ser utilizada para que possamos avançar também na pauta feminina. O projeto que estamos apresentando em parceria com a Universidade de Brasília é um exemplo positivo das possibilidades oferecidas pela tecnologia para empoderar e enfrentar a violência”, ressaltou a emedebista Andreza Colatto, secretária nacional da SPMulheres.

Segundo a professora da UnB, as consequências dos ataques virtuais costumam ser tão nefastas para as vítimas como quando sofrem uma violência física. “Os principais problemas são: a desistência da escola, quadros profundos de depressão, afastamento da vida social, automutilação e, em alguns casos, suicídio”, alerta.

Até o dia 21 de outubro (domingo), o projeto estará exposto na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MTIC), levando a mensagem de empoderamento e enfrentamento à violência online contra meninas e provocando o debate sobre a participação da ciência na redução de desigualdades, nossa equipe está pronta para apresentar o projeto e discutir o tema. O evento é gratuito, para todas as idades, e acontece no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília.

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Subcoordenador do Escola de App, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) e assessor da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, Gerson Scheidweiler diz que a iniciativa é fundamental para o avanço no debate de gênero. Para ele, embora os estudos da violência contra a mulher venham sendo desenvolvidos há muito tempo, os ataques na internet precisam de uma investigação mais profunda.

“Queremos desconstruir a ideia de que a culpa é da menina. Tirar foto de si mesma não é crime. O crime é vazar, compartilhar ou produzir fotos e vídeos sem a autorização de quem aparece nas imagens”, ressaltou.

Além de promover a ampla investigação sobre os casos de violência que se manifestam em ambientes digitais, o projeto contempla a criação de um site de direitos virtuais das meninas. A ideia é fazer um dossiê para subsidiar a elaboração do Plano Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres e Meninas na Internet pela Secretaria da Presidência da República.

A proposta planeja também sensibilizar e treinar 300 estudantes de escolas públicas para elaboração de aplicativos que garantam a proteção e os direitos humanos das meninas na rede virtual, por meio de workshop que apontam riscos e dicas de como navegar com segurança. “Acreditamos que, desta forma, elas podem se tornar mais fortes e empoderadas na internet”, acrescenta o professor.

Vale destacar que o Escola de App está estruturado em três etapas. A primeira dedica-se a fase de diagnóstico do cenário que as jovens estão inseridas, com coleta de informação em escolas pré-selecionadas. A segunda etapa capacita alunas e professores do ensino médio para identificação da violência, bem como estimula autonomia tecnológica, ao realizar oficinas de capacitação em TI para produção de aplicativos. A etapa final pretende entregar ao Governo um plano de ação completo, considerando a pesquisa de campo realizada, em prol do enfrentamento à violência contra meninas na internet.

Com informações do portal Metrópoles e da SPMulheres.

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