• Ínicio
  • Qual é o papel da mulher na democracia brasileira?

Qual é o papel da mulher na democracia brasileira?


Qual é o papel da mulher na democracia brasileira?

Democracia sem mulheres não é democracia. A participação democrática é o principal meio que permite que os interesses das mulheres estejam representados e possuam uma legitimidade social e uma resposta política sustentável. Essa participação, no entanto, ainda enfrenta diversas barreiras para se tornar realidade. No Dia da Democracia, comemorado em 25 de outubro, o Mulheres Transformadoras relembra a importância das representantes femininas na construção de um país mais democrático.

Embora o Brasil tenha, há nove anos, uma lei que obriga os partidos a preencherem 30% de suas candidaturas por mulheres, a presença delas no Congresso é muito pequena. Na Câmara, 10,7% dos assentos são ocupados por elas; no Senado, o índice é de 14,8%. Em nível municipal, dos quase 58 mil vereadores eleitos em 2016, apenas 14% eram mulheres. Em mais de 1,2 mil cidades, não há sequer uma vereadora.

Mais da metade da população brasileira não fala por si. Temos hoje uma desproporção muito grande entre um contingente populacional (as mulheres) e sua respectiva participação enquanto atores políticos. Isso é um problema muito grave, que arranha a democracia”, enfatiza o vice-procurador-geral Eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros.

Nas recentes eleições, esse número subiu um pouco na Câmara, mas seguiu inalterado no Senado. Mesmo que, segundo a pesquisa Ibope/ONU Mulheres Brasil 50-50, em parceira com o Instituto Patrícia Galvão, para 70% dos brasileiros, só exista democracia de fato com a presença de mulheres nos espaços de poder e de tomada de decisão, ocupar cargos de poder não é tarefa simples para as mulheres. Além da disputa por espaço, muitas candidatas ou ocupantes de cargos precisam enfrentar uma constante desqualificação pelo simples fato de serem mulheres em um ambiente tradicionalmente masculino.

A procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, ressaltou que a “baixa representatividade da mulher nos espaços públicos e representativos vai potencializado a desigualdade”. Ela lembrou ainda que um dos desafios é que as próprias mulheres reconheçam que são vítimas de desigualdade.

A pesquisa da ONU Mulheres com o Ibope também revelou uma demanda dos brasileiros para que o governo federal apoie a promoção da equidade de gênero. Para 83% dos entrevistados, é extremamente importante o incentivo ao acesso de mulheres e homens às mesmas oportunidades de trabalho e mesmos salários. Outros 72% consideram extremamente importante políticas visando assegurar oportunidades iguais de atuação em partidos políticos e nos governos.

Para Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil, os dados revelam uma mensagem que os partidos e eventuais políticos eleitos não devem ignorar.

Para os cidadãos, o tema da igualdade de gênero e empoderamento das mulheres de uma forma paritária é muito importante”, afirmou a especialista. Ela ressaltou ainda o peso de demandas de políticas públicas a partir de uma visão que inclua questões de gênero nas áreas de saúde, educação e segurança. Em algumas medidas, mulheres têm um nível de concordância um pouco superior ao dos homens.

Compartilhe nas redes sociais