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A brasileira que chegou à Nasa tem nome e sobrenome: Rosaly Lopes


A brasileira que chegou à Nasa tem nome e sobrenome: Rosaly Lopes

Rosaly Lopes vem de uma família de classe média, com pai dono de empresas de engenharia e mãe formada em música. Nada que direcionasse a carioca para a área que hoje é seu objeto de estudo. Rosaly é astrônoma, geóloga planetária e vulcanóloga e, desde 1991, trabalha como pesquisadora do Jet Propulsion Laboratory (JPL), da Nasa, em Pasadena, na Califórnia. Até chegar nesse ponto da carreira, foi uma longa caminhada, que contou com o apoio decisivo da família.

Mulher Transformadora, ela conta que, embora nunca tenha tido parentes cientistas, ela teve entre os familiares mulheres pioneiras nos estudos.

Minha avó materna, nascida em 1900, era professora, e a mãe dela foi a primeira mulher brasileira a completar o ensino secundário. Uma irmã de minha avó foi uma das primeiras enfermeiras do Brasil, treinada nos Estados Unidos. Então, havia uma tradição de membros femininos da família estudarem, mesmo sendo difícil na época”, orgulha-se.

Hoje, Rosaly realiza pesquisas sobre a Titã – a maior lua de Saturno e a segunda do sistema solar, atrás de Ganimedes, satélite natural de Júpiter. Seu gosto pelo espaço e pela astronomia surgiu, no entanto, antes dos estudos. Ela tem lembranças dessa atração desde os quatro anos, quando, em 1961, o cosmonauta russo Yuri Gagarin se tornou o primeiro ser humano a entrar em órbita da Terra, no dia 12 de abril.

Eu me lembro dos meu pais falando que esse russo tinha ido ao espaço e achei aquilo uma maravilha. Eu não sabia nem o que era um russo, ainda mais como ele tinha subido lá em cima”, conta.

Resultado de imagem para Rosaly LopesA partir daí seu amor pelos segredos do espaço só aumentou. Chegou à faculdade decidida a ser astrônoma. No começo, estudou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), logo depois foi selecionada para fazer a graduação na Inglaterra. Assim, em 1972, três anos depois do encerramento do Programa Apollo, aos 18 anos, ela ingressou no University College London. “Fiz Astronomia e doutorado em Geologia dos planetas naquela instituição”, revela.

A ida para a agência espacial americana ocorreu logo depois, quando ela estava completando o doutorado. “Um colega aqui do JPL (Jet Propulsion Laboratory) me falou sobre o programa ‘Nasa Postdoctoral Program’ aberto a estrangeiros. Eles gostaram de mim e me ofereceram um trabalho aqui, na missão Galileo (que lançou uma nave não-tripulada para Júpiter)”, revela.

Nesse projeto, que se estendeu por 14 anos, de 18 de outubro de 1989, quando a nave foi lançada, até 21 de setembro de 2003, dia em que ela foi arremessada deliberadamente na atmosfera do Júpiter para ser destruída, a pesquisadora brasileira descobriu 71 novos vulcões ativos em Io, o que a colocou no Guinness Book of World Records 2006 (edição em inglês) como a pessoa que encontrou o maior número deles no universo.

Depois da Galileo, a pesquisadora foi para a missão Cassini, trabalhando com o radar, principalmente sobre a geologia Resultado de imagem para Rosaly Lopesde Titã. A missão acabou, mas Rosaly recebeu verba de diversas fontes para continuar fazendo pesquisas sobre aquela lua – a mais recente vem do Nasa Astrobiology Institute.

Além disso, recentemente Rosaly se tornou a primeira mulher – e a primeira pessoa não americana – a assumir o cargo de editora-chefe da conceituada revista cientifica Icarus, fundada por Carl Sagan, para publicar pesquisas em ciências planetárias.

O cargo passou de um para outro. Foram poucos, acho que três ou quatro. O último, que ficou mais de 10 anos, e a Sociedade Astronômica Americana, que tem uma divisão de Ciências Planetárias, estavam procurando quem queria se candidatar. Eu me interessei e eles me escolheram para a função”, comemora.

Rosaly acredita que é preciso que o trabalho de mulheres seja divulgado para incentivar futuras cientistas. Ela, por exemplo, decidiu ser cientista e trabalhar na NASA ao conhecer o trabalho de Frances Northcutt, engenheira da equipe técnica do Programa Apollo e que teve papel importante na missão da Apollo 13.

Só de mostrarem uma mulher, no centro de controle de Houston, já foi uma inspiração muito grande para mim. Engraçado, eu nunca a conheci pessoalmente. Ela deixou a agência logo depois, foi estudar Direito e se tornou advogada. Mas é importante mulheres cientistas fazerem divulgação de suas conquistas para inspirar as próximas meninas”, acredita Rosaly, que já é inspiração para as jovens astrônomas.

Com informações de BBC

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