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Se depender das prefeitas, o caminho para que outras mulheres ocupem espaços na política está aberto


Se depender das prefeitas, o caminho para que outras mulheres ocupem espaços na política está aberto

Alzira Soriano de Souza foi a primeira mulher a vencer uma eleição no Brasil e a primeira prefeita eleita na América Latina. Em 1928, foi escolhida prefeita de Lages, no Rio Grande do Norte. A pioneira é a inspiração do Instituto Alziras, uma organização sem fins lucrativos que tem como missão contribuir para o aumento da representação feminina na política por meio do fortalecimento de mandatos e de candidaturas de mulheres no Brasil. Exatamente como Mulheres Transformadoras, mas focado em pesquisas e levantamentos que podem ajudar a todos nós.

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Alzira, com seu secretariado, em Lajes.

Em novembro, o Instituto divulgou o estudo “Perfil das Prefeitas do Brasil (2017-2020)” e, segundo a pesquisa, o Brasil tem 649 prefeitas, 55% delas têm pelo menos 40% de seu secretariado formado por mulheres. Eleitas em 2016, as atuais prefeitas comandam 11,7% dos municípios brasileiros. O percentual ainda é baixo, mas o levantamento mostra que elas não chegaram ao posto por acaso. Nada menos do que 70% delas já haviam ocupado outros postos de confiança na administração pública antes das eleições municipais, 60% já tinham sido eleitas para outros cargos (vereadoras ou deputadas) e 88% tiveram atuação política, seja dentro de partidos ou em movimentos sociais.

Os municípios são a porta de entrada para a política e é nas cidades que a política é mais concreta. Ao ter mulheres como secretárias, as prefeitas ajudam a mostrar que há espaço para as mulheres na política e que ele deve ser ocupado”, afirma Michelle Ferreti, co-diretora do instituto.

Na comparação com 2012, o número de prefeitas eleitas caiu 3%. Dos 5.568 municípios brasileiros, 68% sequer tiveram candidatas a chefe do poder executivo local nas eleições de 2016. Nas Câmaras Municipais, elas ocupam menos de 14% do total de cadeiras e um quarto dos municípios brasileiros não elegeu nenhuma mulher como vereadora no último pleito. A região do Brasil que, proporcionalmente, têm mais mulheres à frente da gestão municipal é o Nordeste, com 16%, seguido pela Região Norte, com 15%. No Sudeste, a região economicamente mais desenvolvida do país, o percentual não passa de 9%. No Sul, de tradicional colonização européia, o percentual é ainda mais baixo, de apenas 7%.

O levantamento revelou ainda que 71% das prefeitas gerem municípios pequenos, com até 20 mil habitantes.

Além de governarem municípios menores, as mulheres também estão à frente de municípios mais pobres, de menor receita”, explica Michele.

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Teresa Surita (MDB), prefeita de Boa Vista (RR).

Dos 309 municípios brasileiros acima de 100 mil habitantes, somente 21 são governados por mulheres – os maiores são Rio Branco (AC), com quase 384 mil habitantes, e Caruaru (PE), com 356 mil. Apenas uma capital é governada por uma mulher eleita diretamente ao cargo de prefeita: Teresa Surita (MDB), em Boa Vista (RR). Recentemente, a representante foi atacada por um rival político e a reação da população brasileira foi incrível: as mulheres mobilizaram uma campanha virtual denominada “SomosTodasTeresa” em que declaram apoio à emedebista e criticam a postura do parlamentar agressor. Mulheres de Roraima se reuniram na capital para protestar contra o ataque e dar apoio a Teresa. Mara Peixoto é uma das apoiadores de Teresa e lembrou que “mexeu com uma, mexeu com todas”. Em vídeo publicado em suas redes sociais, Teresa agradece o apoio e se emociona ao falar “das mulheres que já passaram por uma agressão e sabem que a diferença de força entre um homem e uma mulher as torna impotentes e indefesas”.

Isso também foi relatado na pesquisa do instituto Alziras que mostrou que a maioria das prefeitas se queixou da violência na política, como ameaças; da dificuldade de obter recursos para a campanha; do assédio e da falta de espaço nos meios de comunicação. Apesar das dificuldades, 56% das entrevistadas afirmaram que pretendem continuar na política, apenas 12% disseram que pensam em desistir.

Com informações de O Globo

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