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São muitas Raimundas que ficam


São muitas Raimundas que ficam

Algumas perdas são inevitáveis, porém mulheres transformadoras deixam suas marcas. Raimunda Gomes da Silva, mais conhecida como Dona Raimunda Quebradeira de Coco, faleceu este mês, mas sua luta pela valorização e melhores condições de trabalho para as mulheres extrativistas do coco babaçu continua. Dona Raimunda teve que começar a vida do zero, após ser abandonada pelo ex-marido com seis filhos para criar.

Mudou-se para São Miguel do Tocantins (MA) e foi morar em um acampamento, dormia em barracos de palha, de lona. Começou a quebrar coco para sobreviver. Vivendo uma realidade dura, ganhou confiança e começou a perceber que era preciso ir além do trabalho diário para garantir melhores condições para o povo que a cercava. Foi então que, no assentamento Sete Barracas, deu início ao sindicato da região que representa as mulheres extrativistas do coco babaçu.

Eu costumava ver o sofrimento das mulheres pobres e iletradas: solteiras e casadas, seus filhos e filhas, crianças abandonadas pelo pai”, disse certa vez.

Em 1991, foi uma das fundadoras do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), que atua nos estados do Pará, Tocantins, Maranhão e Piauí. Foi também a responsável pela Secretaria da Mulher Trabalhadora Rural Extrativista do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS).

Transformadora, a ex-quebradeira de coco rompeu as fronteiras do Brasil. Foi à China, aos Estados Unidos, à França e ao Canadá. Em 2005, foi uma das 1000 mulheres indicadas coletivamente ao Prêmio Nobel da Paz e recebeu homenagens da Assembleia Legislativa do Tocantins e do Senado Federal. Em 2009, recebeu o título de doutora Honoris Causa pela Universidade Federal do Tocantins (UFT).

O Mulheres Transformadoras presta homenagem à essa pessoa humilde, que utilizou o reconhecimento político alcançado com sua liderança nata para dar voz e valor às causas dos extrativistas da Amazônia e das mulheres amazonenses. Sua dedicação a um mundo mais justo e igualitário será referência para as gerações futuras. Sua simplicidade e dedicação ao próximo é um exemplo que nos inspira.

Dona Dijé

Além de Raimunda, o MIQCB também perdeu recentemente outra de suas fundadoras no Maranhão, Dona Dijé, que lutava pela certificação territorial e reconhecimento da comunidade de Monte Alegre como quilombo. Diferente do que possa parecer, a morte de lideranças como d. Raimunda e d. Dijé não enfraquece o movimento.

D. Raimunda ensinou a gente a lutar. Hoje tem várias pessoas assentadas, mulheres capacitadas, que se conscientizam, participam de reuniões, aprendem a se articular”, disse uma dessas mulheres, Luzanira. São muitas as Raimundas que ficam.

Com informações de Instituto Patrícia Galvão, Folha de S. Paulo e G1.

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