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25% das mulheres vítimas de tiro morrem em casa


25% das mulheres vítimas de tiro morrem em casa

Embora os homens sejam maioria absoluta entre as vítimas de armas de fogo no Brasil, o índice de mulheres mortas a tiros dentro de casa é quase o triplo do registrado em relação ao sexo masculino. É o que aponta levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, disponíveis no portal Datasus. O balanço mostra, ainda, que dos 46.881 homens mortos por armas de fogo em 2017, último dado disponível no sistema, apenas 10,6% morreram dentro de casa. No caso das 2.796 mulheres mortas da mesma forma, 25% delas foram vitimadas dentro de seus domicílios.

A diferença de locais de ocorrência de mortes de homens e mulheres reafirma estatísticas criminais já conhecidas de que boa parte dos autores de violência contra a mulher são do seu núcleo de convivência, como marido, namorado, pais, tios e vizinhos, entre outros.

Fator de risco

Para a promotora de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica (Gevid) do Ministério Público de São Paulo, Silvia Chakian, a posse de uma arma de fogo por um homem com histórico de violência doméstica pode, inclusive, ser usada pela Justiça como critério para a concessão de medidas protetivas a uma mulher.

É um fator de risco que pode levar a Justiça a decretar até a prisão preventiva de um suspeito”, explica a promotora.

Diretor executivo do Instituto Sou da Paz, Ivan Marques destaca que a análise de boletins de ocorrência de violência contra a mulher mostra que armas de fogo também são usadas por um parceiro agressor para intimidar a vítima.

Nesses casos, a mulher fica com mais medo e acaba se submetendo a um relacionamento violento”, diz ele.

Foi na casa onde morava com a família, em Andradina, interior de São Paulo, que a jovem Danielle Batista Martins da Silva, de 25 anos, foi assassinada a tiros pelo marido após uma briga, há cerca de dois meses. O crime foi cometido pelo técnico de futebol Max Alberto Martins da Silva, de 35 anos. Durante uma discussão, Danielle correu para a casa da mãe, que fica no mesmo terreno.

Descontrolado, Max teria ido à casa da sogra e, como não conseguiu se acertar com a companheira, voltou para a residência do casal e pegou um revólver calibre 32. Retornou então para o imóvel vizinho, atirou na testa da mulher e, depois, disparou contra a própria cabeça. Antes, ainda teria procurado pelos três filhos do casal, que haviam fugido com a avó.

O crime aconteceu no dia 3 de novembro do ano passado e a mulher morreu no local, enquanto que o marido foi socorrido até a Santa Casa de Araçatuba, também no interior paulista, onde acabou morrendo três dias depois.

Ainda abalados pela tragédia, parentes de Danielle evitam fazer comentários. Já os amigos lamentam a tragédia. Alguns atribuem o ocorrido à facilidade do acesso ao revólver naquela ocasião.

É o exemplo do que uma arma pode fazer”, diz Sérgio Luís Alves, que conhecia o casal. “Acho que, na hora da raiva, se você tem facilidade para se armar e não está com a cabeça boa, pode acabar fazendo uma besteira”, afirma.

Informações do Estadão Conteúdo.

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