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Mulheres dentro e fora de campo


Mulheres dentro e fora de campo

É muito raro ver mulheres técnicas de times de futebol. Até mesmo times femininos são comandados por homens. Essa é uma tradição que Emily Lima quer quebrar. A atual técnica do Sereias da Vila, time feminino do Santos, quer mudanças. De contrato renovado após uma temporada de redenção no clube, tendo conquistado um título paulista e o vice-campeonato da Libertadores, Emily deseja abrir novos mercados para as mulheres que trabalham no futebol.

Assim como a maioria dos profissionais da modalidade, ela sonha em fazer carreira na Europa, mas antes gostaria de ter a oportunidade de treinar um time masculino no Brasil. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Emily afirmou que não negaria o convite para treinar um time masculino.

Alguns gestores já me perguntam se aceitaria o desafio. Estão observando que estamos no mercado e que pode ser algo inovador. Temos que saber que a pressão será grande e diferente, certamente ouviremos coisas como ‘viu, foi tentar uma mulher’. Se houver uma boa oportunidade não vou negar”, disse à Folha.

No Brasil, o relato mais recente de uma mulher que foi técnica de um time masculino é o de Nilmara Alves, que comandou o Manthiqueira na quarta divisão do Paulista e na Copa São Paulo. “Vivemos em um país machista e preconceituoso. Poderia ter mais técnicas? Sim. Se tivéssemos uma cultura diferente”, afirmou Emily.

Emily Lima participa de curso de técnicos da CBF – Kin Saito/CBF

Em dezembro, Emily foi a única mulher em uma turma de 65 técnicos que fez o curso de Licença Pro da CBF, a mais alta certificação para a categoria no futebol brasileiro. A partir deste ano, o diploma do curso será exigido para técnicos de equipes que disputam a Série A do Brasileiro masculino.

É um curso muito rico e qualificado. Entre os técnicos, fui muito respeitada. Todos me chamavam pelo nome e me ouviam, até os renomados. Acredito que o conhecimento não ocupa espaço. Ocupa tempo? Sim. Vim depois de mais de um mês fora de casa. O esforço tem um motivo: quero colher os frutos lá na frente”, disse Emily.

Em outro curso promovido pela CBF, o da Licença A, havia somente duas mulheres, em meio a 74 homens. “Não culpo ex-atletas e nem as mulheres. Precisamos colocar comida na mesa e pagar contas. Tenho boa base familiar e financeira, mas nem todas têm condições. Elas têm que trabalhar, cuidar de filhos. O futebol feminino, muitas vezes, não paga as contas”, avalia.

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Com Marta, enquanto técnica da seleção brasileira

Emily se tornou a primeira mulher a comandar a seleção brasileira feminina. A passagem, porém, ficou mais marcada pela saída rápida do que pelo trabalho realizado. Sua passagem foi encerrada em setembro de 2017, com apenas dez meses e 13 jogos. Nenhum de seus cinco antecessores havia ficado menos de um ano no cargo. Ela disse na época ter se sentido usada pela entidade e que o futebol feminino estava nas mãos de pessoas que não entendiam da modalidade.

Como jogadora, Emily fez carreira no Brasil, principalmente em clubes paulistas. Jogou por Saad, São Paulo e Palestra de São Bernardo. Na Europa, atuou em equipes da Espanha e no Napoli, da Itália, onde parou após lesões.

Temos uma nova boa geração [no futebol feminino] e, novamente, não vão trabalhar? Precisamos lutar para fazerem um campeonato mais competitivo”, afirmou.

No Santos, ela disse ter encontrado uma nova “identificação afetiva” e que não vai parar a luta por novos tempos.

Com informações da Folha S. Paulo.

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