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Conheça Leiliane da Silva, que salvou uma pessoa no acidente que matou o jornalista Ricardo Boechat


Conheça Leiliane da Silva, que salvou uma pessoa no acidente que matou o jornalista Ricardo Boechat

O Brasil assistiu, chocado, na última segunda-feira (11), aos noticiários que mostravam a queda de um helicóptero na Rodovia Anhanguera e bateu na parte dianteira de um caminhão que transitava pela via Anhanguera, em São Paulo. No acidente, morreram o jornalista e apresentador Ricardo Boechat, da BandNews, e o piloto da aeronave, Ronaldo Quatrucci. O número de mortos só não foi maior graças a uma mulher transformadora que passava pelo local: a Mulher-Maravilha Leiliane da Silva.

Sem pensar duas vezes, a vendedora de 29 anos que estava em uma moto ao lado do caminhão que se chocou contra o helicóptero, fez tudo o que estava ao seu alcance para prestar socorro às vítimas e conseguiu soltar, com uma faca, o motorista do caminhão, João Adroaldo Tomanckeves, que estava preso ao cinto de segurança. Enquanto alguns homens insistiam em filmar as chamas e as vítimas, a mulher escalou a cabine do caminhão, quebrou o vidro com seu capacete, arrancou os pedaços do helicóptero e soltou o motorista.

Estou orgulhosa de mim, mas sinto que poderia ter feito mais alguma coisa”, afirmou em entrevista ao site Universa.

Ela conta que foi impedida de chegar perto do helicóptero por funcionários da concessionária administradora da rodovia pelo risco de explosão, mas viu que Boechat pulou da aeronave antes da queda e ficou preso nas chamas.

Eu queria salvar ele, vi ele pedindo ajuda. A minha intenção ali na hora era tirar ele de lá. Eu tinha que ter tirado ele de lá. Tinha que ter puxado para o meio da pista. Não me deixaram, então ajudei no caminhão”, declarou ao G1.

A imagem do salvamento sensibilizou o ilustrador Angelo France, que homenageou a mulher desenhando a cena em estilo de HQ (história em quadrinhos) e ilustrando Leiliane como a Mulher Maravilha.

Heróis reais existem! Leiliane, que assistiu de perto a queda do helicóptero, desceu da moto e correu para salvar a vida do motorista do caminhão atingido no acidente. Uma mulher forte, de coragem, que arriscava sua vida enquanto os homens a sua volta apenas se importavam em filmar ao invés de ajudar. Parabéns Leiliane! Verdadeira Heroína!”, escreveu o artista em sua conta no Instagram ao lado da ilustração, que acabou viralizando na Internet.

Leiliane viu o desenho e agradeceu pela homenagem.

Ficou lindo, perfeito. Quem fez o desenho é muito inteligente. Mas eu não sou não heroína, não sou Mulher Maravilha, acho que isso foi um pouco exagerado. Apesar disso, eu fiquei bem parecida, com cara de brava, descabelada, ficou engraçado”, disse ela.

Sentada na calçada de sua casa, no bairro Pirituba, em São Paulo (SP), a jovem mãe de três filhos diz que as imagens do acidente ficam se repetindo em sua mente, mas recusa o título de heroína.

Pelo amor de Deus. Eu fiz o mínimo, que foi ajudar uma pessoa que estava viva depois de um acidente. É amor ao próximo, mas as pessoas estão mais preocupadas em gravar vídeos para mandar no grupo do Whatsapp”, afirma a jovem.

O ato de heroísmo involuntário, no entanto, poderia tê-la matado: Leiliane descobriu, quando deu à luz sua filha mais nova, Lívia, de quatro meses, que tem malformação arteriovenosa (MAV). No parto, ela teve uma convulsão. Por causa do problema, ficou um mês internada em dezembro e está na fila do SUS para fazer a cirurgia intracraniana. Toda quinta-feira, religiosamente, ela vai ao hospital para ver se consegue um encaixe para fazer a intervenção. “Já desmarcaram a operação quatro vezes”, explica.

As malformações arteriovenosas (MAVs) são uma doença rara, provocada por defeitos no sistema circulatório, uma anormalidade vascular, que atinge principalmente o cérebro. Os sintomas mais comuns são dor de cabeça crônica, tontura, convulsões, hemorragia, perda da coordenação motora e até perda de memória. A doença pode ser tratada com cirurgia transcraniana; tratamento endovascular por cateterismo e radiocirurgia (radiação atinge exclusivamente o tecido cerebral doente).

Por causa da malformação, ela não pode ficar muito tempo sozinha, passar por estresse nem carregar peso. Ou seja, tudo o que ela fez ao resgatar o motorista João. Ela corria o risco de ter um derrame hemorrágico ali em cima da boleia. Assim, colocou a vida em risco duas vezes. “Mas eu não pensava em nada disso. Eu estava ligada no 220”, diz. Com o corpo dolorido pelo esforço e arranhões ao longo dos braços ela afirma, no entanto, que poderia ter sido muito pior: se o helicóptero não tivesse batido na carreta, a aeronave teria acertado a moto do casal em cheio.

As pessoas falam que sou o anjo da guarda do João, que eu o salvei, mas foi ele quem salvou a minha vida. Ele apareceu do nada e evitou que eu e meu marido também morrêssemos”, acredita.

Ainda assim, a família toda está cheia de si pelo feito de Leiliane. A filha mais velha da vendedora, Maria Heloísa, de 8 anos, não esconde o orgulho da mãe. “A roupa dela estava cheia de caco de vidro”, lembra.

Com informações do G1 e Universa.

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