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Débora Garofalo, a brasileira que está entre os 10 melhores professores do mundo


Débora Garofalo, a brasileira que está entre os 10 melhores professores do mundo

Embora sua formação original seja em Letras e Pedagogia, Débora Garofalo conquistou seus alunos da Escola Municipal Almirante Ary Parreiras, na periferia de São Paulo, construindo helicópteros, máquinas de refrigerante e carrinhos automáticos, um deles, inclusive, capaz de tocar a canção tema da animação Frozen. Em 2014, percebendo a carência dos estudantes na área da tecnologia, candidatou-se para lecionar Informática Educativa para crianças do 1º ao 9º ano e, com recursos próprios, aprendeu a transformar lixo em protótipos de sucata.

Percebi que muitos alunos não iam à escola em dia de chuva e que as enchentes eram agravadas pela quantidade de dejetos nas ruas. Pedi que eles observassem onde as pessoas descartavam e trouxessem os eletrônicos e objetos recicláveis”, conta Débora.

Assim nasceu o projeto Robótica com Sucata, que além de ajudar a tirar mais de uma tonelada de lixo das ruas de São Paulo, foi o responsável por colocar Débora entre os 10 melhores professores do mundo. Agora, ela vai representar o país no Global Teacher Prize 2019, o Nobel da Educação, que oferece prêmio de US$ 1 milhão.

Em entrevista ao site G1, Débora conta que ficou muito emocionada com a indicação e que já tem planos para a “pequena fortuna”, caso seja a vencedora: reinvestir o dinheiro e levar a robótica para outros cantos do país.

Já fico imaginando uma comunidade ribeirinha de Manaus recebendo o laboratório e podendo vivenciar essa aprendizagem”, disse.

No colégio, ela percebeu nos últimos três anos a importância de fazer aquilo que chama de “intervenção social”. “É uma das realidades mais tristes que vivenciei. Eles olhavam a escola como extensão do quintal de casa. Tinham como sonho apenas ganhar pacote de bolacha. Quis trazer a tecnologia como processo transformador da vida das crianças”, diz. Débora levou os alunos para fora dos muros do colégio, fazendo aulas públicas sobre a importância do descarte correto do lixo. Também convidou os alunos a reutilizar rolinhos de papel higiênico, tampinhas, canudos ou pedaços de papelão nas aulas de tecnologia. Os alunos então passaram a usar todo tipo de material para produzir brinquedos nascidos de sua própria imaginação, aplicando conceitos matemáticos e da física, entre outros ensinamentos. Assim, a professora afirma ter envolvido até aqueles que eram considerados os mais indisciplinados.

Coordenador do curso de Pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Ítalo Francisco Curcio afirma que o reconhecimento conquistado pela professora Débora Garofalo é merecido, por ela conseguir envolver os alunos mesmo em uma realidade adversa.

Para mim, é a verdadeira professora. Se colocá-la em um colégio de alto nível, ela será brilhante, como também é brilhante em uma escola em uma região carente”, afirma.

A professora, que trabalha com crianças entre 6 e 14 anos, já conta com uma carreira premiada: foi “professor destaque” pela Secretaria Municipal de Educação SP em 2018 e vencedora na temática “Especial”, do Prêmio Professores do Brasil, também em 2018. Sua metodologia foi incluída nas diretrizes de formação do Centro de Inovação para Educação Brasileira (CIEB) e virou referência para professores de todo o país. Débora também foi finalista de Aprendizagem Criativa da Fundação Lemann/MIT Media Lab e do Prêmio Claudia na categoria “políticas públicas”.

‘Super-heróis’

A revelação dos dez finalistas foi feita em vídeo pelo ator Hugh Jackman.

Quando eu era criança, eu queria ser vários super-heróis. Mas agora eu posso dizer, de onde estou, com toda minha experiência, que os verdadeiros super-heróis são os professores. São eles que mudam o mundo”, relatou Jackman, que interpretou Wolverine no cinema. Para a Veja, Débora conta que se emocionou muito com o anúncio.

Junto com os outros finalistas, Débora recebeu uma mensagem do empresário Sunny Varkey, presidente da instituição: “Espero que sua história inspire aqueles que pretendem ingressar na carreira de docente, e também destacar o incrível trabalho que os professores fazem em todo o território brasileiro e em todo o mundo, todos os dias”.

Global Teacher Prize

Criado em 1998 pela FVC, o prêmio reconhece professores da Educação Infantil ao Ensino Médio e também coordenadores pedagógicos e gestores escolares de escolas públicas e privadas de todo o país. Desde o ano passado, o prêmio conta com um jurado indicado pela Varkey para a escolha do Educador do Ano. Em março será divulgado o regulamento de sua próxima edição. Ao longo das últimas 21 edições foram premiados 221 educadores, entre professores e gestores escolares, que receberam cerca de 2,5 milhões de reais.

Com informações de G1, Veja e Folha de S. Paulo

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