Michele Rodrigues transforma vida de crianças especiais com capoeira

A cada toque do berimbau, uma gingada. Na batida do atabaque e do pandeiro, crianças, adolescentes e adultos com necessidades especiais cantam e jogam capoeira. Os passos e os ritmos são monitorados cuidadosamente pela voluntária e professora Michele Correa Rodrigues. Mulher transformadora, conhecida como “Fênix” entre os capoeiristas, ela trabalha como voluntária há quatro anos na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) do município de São Leopoldo (RS), distante cerca de 35 km de Porto Alegre. A entidade atende mais de cem crianças portadoras de síndrome de Down, autistas e com paralisia infantil.

Texto de Luciano Nagel, publicado no Uol em 4 de janeiro, apresenta as transformações geradas pela professora que, ao menos duas vezes por semana, dedica suas tardes a treinos especiais de capoeira, produzidos de forma lúdica, aos alunos da Apae. “A capoeira desenvolve habilidades importantes para o desenvolvimento motor da criança, além de estimular a interação social, que é uma das áreas afetadas nos alunos com autismo”, explica a voluntária, que também cursa faculdade de educação física.

Parte da turma premiada na 20ª edição das Olimpíadas Especiais das Apaes do RS (Foto de Caio Rodrigues)

Michele explica que, durante as aulas, são apresentados os instrumentos musicais utilizados na prática da capoeira, ou seja, berimbau, pandeiro, atabaque e agogô. No entanto, alguns alunos com autismo apresentam certa sensibilidade ao som, o que acaba deixando a criança ou adolescente mais agressivo e irritado na sua forma de agir. Ela não desistiu: “De início, apresento os instrumentos tocando um som muito leve para não os incomodar e aos pouquinhos vão se acostumando e adquirindo confiança. Também trabalho com figuras, cores e faço os movimentos dos animais dentro do jogo da capoeira”.

Os esforços mudaram a vida das crianças e jovens que participam das aulas. Em dezembro de 2017, a professora ela levou seus alunos para participarem da 20ª edição das Olimpíadas Especiais das Apaes do Rio Grande do Sul que tinha 11 modalidades esportivas e teve mais de 800 atletas participando. A equipe, com oito alunos especiais, ficou em primeiro lugar na modalidade. “Foi muito gratificante para mim. Trabalhar com estas pessoas e ver o desenvolvimento delas a cada dia é muito bom e não tem preço”, revela Michele.

Transformação a cada aula

Autista, o garoto Kauã toca agogô (Foto de Caio Rodrigues)

A prova de que a capoeira tem transformado a vida do pequeno Gabriel, de quatro anos, é o orgulho da mãe, Laura da Rosa. “O Gabriel tem autismo e começou a praticar o esporte há um ano. Ele aprendeu a ter disciplina e esperar sua vez na realização das tarefas designadas pela professora, está feliz. É maravilhoso”, diz Laura.

A mesma opinião é compartilhada pela mãe de Kauã, aluno autista de oito anos. “Meu filho tinha medo de tudo, era assustado e, desde que começou a treinar, melhorou o seu comportamento. Hoje, já brinca com os amigos e interage muito mais”, confirma Sandra Haubert. Kauã começou a praticar capoeira em março de 2017.

Com informações do UOL

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