Mostra feminista fica no Masp até dia 14 de fevereiro

O Museu de Arte de São Paulo (Masp), apresentou a mostra “Guerrilla Girls: gráfica, 1985-2017” com mais de cem pôsteres que denunciam a baixa presença de mulheres e negros em acervos de museus, galerias e coleções particulares. O grupo de Mulheres Transformadoras que luta por uma maior representatividade feminina e negra no mundo das artes, fez diversas performances durante a exposição que é a primeira individual do Guerrilla no Brasil.

As Guerrilla Girls surgiram em Nova York (EUA), em 1985, como uma das principais vozes contra o preconceito no cenário artístico. Em cartazes produzidos e distribuídos pelos muros da cidade o grupo cobrava espaço nas artes. “As ruas eram a forma de nos comunicarmos com as pessoas. Nosso trabalho tem uma dimensão pública importante”, afirmam integrantes do grupo.

O trabalho é feito inteiramente de modo anônimo – elas não divulgam detalhes ou números do coletivo e aparecem sempre usando máscaras de gorilas. “Nós fomos as Gorilla Girls antes de ser Guerrilla Girls por lapso de uma redatora, que confundiu os nomes gorilla e guerrilla”, diz uma das garotas que participou de performances durante a mostra, concluindo: “Foi um erro iluminador, pois sugeriu o uso das máscaras de gorilas, disfarces que nos dão maior liberdade de expressão”. O grupo segue combatendo o sexismo que domina o circuito das artes e fala de sua missão artística: “Combatemos a discriminação e defendemos os direitos humanos”.

Photographer: Guerrilla Girls

O cartaz mais conhecido da história do coletivo Guerrilla Girls, é de 1989 e foi atualizado para a mostra Guerrilla Girls Gráfica – 1985-2017. No cartaz original, que mostra uma segunda versão (ca. 1824/30) da Grande Odalisca de Ingres com cabeça de gorila, elas criticavam o Metropolitan de Nova York por ter menos de 5% de artistas mulheres no acervo, sendo 85% dos nus femininos. E perguntavam: “Mulheres precisam estar nuas para entrar no Metropolitan?”. Na versão

Ativistas estiveram no Masp ao longo dos meses da exposição

brasileira, a pergunta é “E no Masp?”. O cartaz aborda o contraste entre o pequeno número de artistas mulheres comparado ao grande número de nus femininos da coleção em exibição no Metropolitan Museum de Nova York (5% e 85% em 1989, e 4% e 76% em 2012) e no MASP (6% e 60% em 2017). Embora o MASP apresente números melhores do que os do Met, o resultado seria bem diferente se considerássemos o grande número de nus femininos do modernista brasileiro Pedro Correia de Araújo, em exibição na galeria do segundo subsolo até 18 de novembro.

Segundo o grupo, os museus não mais servem ao propósito de documentar a história da arte, mas a história do poder e do dinheiro – e elas demonstraram, em 1989, que o valor pago por uma tela de Jasper Johns (US$ 17,7 milhões) poderia comprar obras de 67 mulheres artistas consagradas, entre elas Diane Arbus, Dorothea Lange, Frida Kahlo e Georgia O’Keefe.

“É o velho preconceito de ver o homem como gênio criador e a mulher como musa”, comenta uma das garotas.

Outro destaque da exposição é o catálogo do projeto, que traz reproduções de todos os cartazes já impressos pelo grupo (com tradução para o português). A curadoria é de Adriano Pedrosa e Camila Bechelany.

Guerrilla Girls: gráfica, 1985-2017
MASP, até 14/02/2018
De terça a domingo, das 10h às 18h; quinta, das 10h às 20h (última admissão: 30 minutos antes do encerramento)
Performance: 29/9, às 20h
Estação mais próxima: Trianon-Masp (linha verde)

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