Mulheres guerreiras foram tema da Salgueiro

“Senhoras do Ventre do Mundo”. Esse foi o samba enredo da escola de samba carioca Salgueiro, que desfilou na Sapucaí no dia 12 de fevereiro e ficou em quinto lugar. Com a tradição de levar para a avenida histórias com temática africana e de figuras de destaque da cultura negra, o carnavalesco Alex de Souza desenvolveu o tema proposto pela diretoria da escola que desejava tratar de “Feminino e negro como nunca”. Em reportagem de Cristina Indio do Brasil, da Agência Brasil, diversos tipos de mulher estarão representados e a ideia é tocar em questões sociais ainda atuais, como racismo e misoginia.

Carnavalesco acredita que história de mulheres negras guerreiras conquistará o público

“Em vários períodos da história, em várias condições. Ela é a regente, ela é a general, ela é soldado, é mãe, é amante, é companheira, militante, professora, poetisa. Ela é aquela que está com o filho, da gestação à hora da morte. Aquela que introduz palavras em nosso vocabulário, dá sabor à nossa culinária, põe tempero na panela. Que sabe ralhar na hora certa, que educa, batalha. Elas são tantas ao longo da história e também da nossa história brasileira”, pontuou Alex.

Confira a sinopse do samba enredo, que ajudou na construção da música e da alegoria da escola:

A lista de mulheres fortes, guerreiras, que marcaram e ainda estão presentes no cotidiano da vida brasileira reúne personalidades como a escrava alforriada que se tornou parte da elite mineradora de Diamantina (MG), Xica da Silva, e a pianista e compositora Carolina Cardoso de Menezes.

Roberta Rodrigues será Xica da Silva, escrava alforriada que marcou Diamantina

A atriz Roberta Rodrigues, que tem projeto de interpretar Xica no teatro, realizou o sonho na avenida, para um público de cerca de 80 mil pessoas.

“O Salgueiro é uma escola especial e sempre trata de assuntos que reveem conceitos da nossa cultura. Representar a Xica na avenida, para mim, tem uma importância imensa. Nós mulheres negras, e também todo o povo brasileiro, temos que conhecer a história da mulher negra no Brasil. São mulheres guerreiras, que transformaram e, por isso, a gente tem hoje ascensão, uma liberdade maior. Não que seja perfeita. A gente ainda está lutando por muitas vitórias, mas já deu uma boa caminhada, graças a mulheres como Xica da Silva”, disse a atriz.

“Turbilhão de emoções” no desfile

O momento de entrar na avenida é sempre de grande emoção para um componente de escola de samba. Para Roberta Rodrigues, com a representação que fará na passarela, será também um instante em que pensará na filha Linda Flor, que completou um ano no dia 16, e em diversas mulheres que enfrentam batalhas para tocar a vida.

A atriz afirma que, negra e vinda da comunidade do Vidigal, na zona sul do Rio, enfrentou batalhas importantes e precisou provar a competência “um bilhão de vezes”.

“Sofri muito para chegar aqui, para provar meu valor. Você descobre uma força descomunal e não sabe de onde vem. Você começa entender melhor a mulher, o quanto somos fortes e não temos esse reconhecimento. Começa a querer o seu espaço e os seus direitos. Com certeza, quando eu entrar na avenida, vou carregar a força de todas essas mulheres. Vou entrar com um turbilhão de emoções”, acrescentou.

Confira como ficou o samba enredo da escola:

Com informações da Agência Brasil

Compartilhe nas redes sociais

Comente essa publicação

Publique um comentário